Insegurança alimentar como indicador de iniquidades na pandemia de covid-19: análise com idosos brasileiros

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Maria Devany Pereira

Resumo

O acesso a uma alimentação segura, em qualidade e quantidades adequadas é um direito fundamental do ser humano para garantir a sua qualidade de vida, entretanto com a pandemia da COVID-19 a situação de Insegurança Alimentar e Nutricional, que já vinha sendo pauta de atenção com seu aumento nos últimos anos, tomou maiores proporções. E os idosos fazem parte de um subgrupo da população que estão mais vulneráveis às consequências da alimentação inadequada. Objetiva-se, investigar a associação da insegurança alimentar com algumas variáveis indicativas de desigualdades sociais como faixa etária, renda, escolaridade, raça/cor e composição familiar. Para medir a segurança alimentar aplicou-se o instrumento EBIA (Escala Brasileira de Segurança Alimentar) a uma amostra de 335 domicílios com idosos residentes em área urbana de um município do nordeste brasileiro. Verificou-se que a insegurança alimentar esteve presente em 36,7% dos domicílios investigados e se concentrou em domicílios com idosos na faixa etária de até 80 anos, com baixa renda (menos de dois salários mínimos), que se autodeclararam pardos e apresentaram baixo nível de escolaridade (não alfabetizados). Os indicadores que apresentaram maior impacto na insegurança alimentar foram a renda familiar (p= 0,002) e a classe econômica (p< 0,001). Considera-se que a medida da insegurança alimentar seja um importante indicador para o monitoramento das condições de vida e saúde de famílias com idosos, podendo identificar grupos com vulnerabilidade social e estimar seus efeitos no enfrentamento da pandemia de Covid-19.

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Como Citar
Pereira, M. D. (2026). Insegurança alimentar como indicador de iniquidades na pandemia de covid-19: análise com idosos brasileiros. Revista Brasileira Multidisciplinar, 29(1), 95-105. https://doi.org/10.25061/2527-2675/ReBraM/2026.v29i1.2372
Seção
Artigos Originais

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